terça-feira, 28 de setembro de 2010

Quero falar de amor e de olhares...

O amor é o clichê mais batido e mais bonito que existe. Resolvi resgatar um texto do meu outro blog e colocar aqui. Na hora que decidi fazer isso, começou a tocar na rádio "She's like the wind", música do filme Dirty Dance, um dos meus preferidos e integrante do meu acervo de coisas indispensáveis.


Reflexão


Sempre quis me ver, mas não no espelho. Queria ser capaz de me enxergar fora do meu corpo. Não falo de experiências espirituais. Minha alma e meu corpo não se dividiriam. Eu estaria completa vivendo e observando a mim mesma. Comportamentos e ações são sempre movidos por olhares alheios. Queria ser alheia a mim por um momento.
A nossa vida é sempre mediada pelos outros. Vemos mais os outros do que nós mesmos já que não somos capazes de andar seguindo nosso próprio reflexo. Acho que me conheceria melhor se pudesse me ver mais. Se pudesse me ver na hora em que as coisas acontecem. O meu olho fechando ao se encontrar com outra boca. Ele abrindo e ficando arregalado ao final do beijo. Queria ver a minha face preguiçosa no momento em que o relógio desperta, ainda com a luz apagada. E o modo como meus cílios colam quando encosto a cabeça no travesseiro. A cara de boba quando tenho frio na barriga e o olhar perdido quando meus pensamentos começam a agir. Queria me ver de costas. O modo engraçado de andar correndo. Sei que vídeos já me mostraram algumas dessas vivências, mas queria o tempo real. Talvez seja por isso que inventaram o amor. Já que não podemos nos observar nos pequenos detalhes, esta experiência privilegiada fica para os outros. E talvez amemos nos outros o que não vemos em nós. É claro que ver alguém andando na rua não é nenhum privilégio, mas compartilhar a vida de perto é raro. Tudo bem que em transportes públicos lotados somos postos forçadamente próximos uns dos outros e diminuímos a distância apropriada para convívio social entre estranhos. Mas, no amor é diferente. A motivação é espontânea. Ver os olhos de perto, um sorriso se formando, as lágrimas escorrendo. A peculiaridade de cada gesto.Vemos no outro o que não podemos ver em nós. E nos permitimos ser vistos como não nos vemos. Dessa cegueira pessoal temos a melhor visão: o olhar do outro emitindo nosso reflexo. Talvez este seja nosso melhor espelho.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Desconhecimentos gerais

No balcão da sala de computadores aqui da faculdade, ouvi dois funcionários conversando. Perdi o começo e não entendi como chegaram ao assunto, mas eles falavam do Arnaldo Jabor. Foi mais ou menos assim: “Arnaldo Jabor? Sei lá quem é esse cara” O outro completou: "Eu também não faço a menor ideia. Deve ser um hacker”. Contive o riso até virar as costas. É engraçado como certas pessoas do nosso meio são tão óbvias pra gente que é difícil imaginar que alguém não saiba quem é. E, para jornalistas e aspirantes, é ainda mais complicado porque, mesmo que seja superficialmente, é bom que a gente conheça pelo menos de nome as figurinhas mais importantes de cada tema, setor ou de qualquer assunto relevante que pipoque por aí...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Palavras "mal-ditas"

Hoje esperando o metrô andar percebi o quanto é irritante ouvir algo que já sabemos e que não é tão legal assim de ouvir. Dizer uma coisa chata já sabida, torna essa coisa mais chata ainda. Tudo bem. Eu já havia percebido isso há tempos. Mas, depois de cinco minutos esperando o metrô, a mulher resolve avisar:"estamos esperando a liberação do fluxo". Era uma coisa óbvia, mas que afirmada se transformou a gota d'água. Falar coisas já sábidas, só se forem boas. Para coisas ruins, o silêncio costuma ser melhor.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sobre vontades e motivos

Vim desligar o computador pra dormir, mas comecei a pensar. Nem sei ao certo o caminho que esse blog está seguindo. Na verdade, por falta de planejamento e tempo, ele não está indo para lugar algum. Nenhum público específico, nenhum assunto relevante. Ao pensar em por que escrever, percebi que nem todas as vontades têm que ter uma explicação ou justificativa. Antes de começar a digitar aqui, pensei em por qual motivo eu queria dormir. Não encontrei. A única coisa que me veio na cabeça era dormir por dormir. Não para me preparar para um dia de estudo e trabalho,não para esquecer da rotina, não para sonhar. Apenas dormir. E assim, apenas escrevo. Fazer as coisas por essência sem profundos questionamentos pode trazer à superfície algo mais verdadeiro e saudável. Então, dormir por dormir pode trazer sonos mais relaxados e escrever por escrever, pode trazer textos mais autênticos e sem pé nem cabeça como esse, por exemplo...
Corriqueiro e sem nenhum gancho, mas deu vontade. Às vezes é bom querer ser jornalista e esquecer que existe lead.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Close-to-the-skin reporting

A menos de um ano de concluir o curso de Jornalismo, decido voltar ao problema que me apareceu nos primeiros meses de curso. Diante de um texto que não saía por nada e que me deixava ainda mais nervosa quando via as linhas sendo preenchidas pelos colegas de turma, pensei se tinha escolhido mesmo a carreira certa. E na hora de entregar o texto e aproveitar para desabafar com a professora, da qual eu esperava palavras de consolo, fiquei ainda mais na dúvida. Quando ela me disse que eu deveria estar matriculada em Letras, depois de eu ter confessado o meu modo de escrever, voltei para casa arrasada. Não porque não goste do curso, mas porque instintivamente eu achava que precisava insistir no Jornalismo. Mas se a Literatura não saía de mim e o Jornalismo teimava em ficar também, resolvi que eles precisavam fazer as pazes. E foi assim que descobri que muito antes de mim, bastante gente já tinha comprado essa briga, aliás, essa amizade. Hoje “essa muita gente” tem me acompanhado na cabeceira e nos transportes públicos, mas a bibliografia deles fica para depois. Do aprendizado, tem ficado a mensagem de que é possível tornar a vida mais digerível e sensível usando a realidade como matéria prima. Literatura da vida real é um novo olhar sobre o mundo. Um olhar mais apurado, mais distante do papel e mais rente à pele. É close-to-the-skin reporting.