Voltar a escrever é sempre um desafio, ainda mais para aqueles que, como eu, escolheram as palavras como ofício. Mistura de prazer e obrigação. Na redação, na sala de aula, os devaneios ficam de fora e a tal da objetividade tem que imperar. Mas, aqui, num espaço bem pessoal, jornalistas e aspirantes estão livres. Mas não é que a tal da liberdade também assusta? Quando se pode escrever sobre qualquer coisa, às vezes não se sabe o que escolher. Como todos os excessos, os de opções também incomodam. A começar pelo título do blog. Se a minha ideia era falar sobre o que me desse vontade, era fácil cair no “tudo e mais um pouco”. Mas, além de não ser nada original, jornalistas adoram fazer piadinhas com clichês ou usar trocadilhos que sempre acham geniais, ainda que qualquer pessoa pudesse ter tido a sacada. Confesso que faço parte deste grupo de vaidosos que se acham mais íntimos das letrinhas. E no meu caso, “Tudo e menos um pouco” também tem outro motivo, que está ali na descrição. É ousado suprimir o “tudo” nas páginas de um blog, mas quando estava pensando no que escrever aqui para retomar a atividade, vi uma ousadia de tamanho bem maior. O Youtube vai fazer um documentário chamado Vida em um dia, o primeiro longa-metragem feito com a colaboração de usuários. No dia 24 de julho, internautas do mundo todo vão registrar fragmentos de suas vidas. Os mais interessantes entram na versão final do longa.

Estou curiosa para assistir, mas com certeza não vou deixar de pensar no que ficou de fora. Ainda não larguei essa mania de tentar enxergar todos os pontos de vista. Isso me lembrou o Aleph, um conto de Jorge Luís Borges que li recentemente, mas deixa isso para um próximo post.
Life in a day: http://www.youtube.com/lifeinaday
Até a próxima, e que ela seja logo em breve.