domingo, 10 de outubro de 2010

Sou Rio. Sorrio?


Ontem vendo uma apresentação de Bossa Nova, fiquei com uma parte de uma música na cabeça. Os cantores começaram a repetir Sou Rio ou falaram repetidamente Sorrio. Não sei bem ao certo. Mas essa combinação de duas possibilidades, me fez pensar. Estar no Rio é motivo real para sorrir? Se lembrarmos da onda de violência da semana passada, com certeza, a resposta é não. Apesar disso, a minha relação com essa cidade é curiosa. Quando estive distante da “maravilhosa” e na companhia de paulistas, sergipanos, mineiros e muitos outros sotaques e gírias, sempre defendia o Rio. Tinha saudades e lembrava com orgulho dos cartões postais, até dos que eu nunca fui visitar. No dia-a-dia daqui, gosto das paisagens, do sol e de certa informalidade. Mas não sou viciada em praia, não vejo problemas em ser mais formal e acho lindos vários outros lugares desse mundo afora. Penso que o Rio de Janeiro é como um desses amores sedutores que levam as pessoas a se iludirem, se envolverem,morrerem de saudade, correrem para alcançá-lo, aproveitarem até o último suspiro até enjoarem e precisarem ir pra longe para terem vontade de ficar perto de novo. Tenho andado enjoada do Rio, do que vejo nos noticiários, do medo estampado na cara das pessoas, tenho tido vergonha dos meus amigos de outros lugares que têm muita vontade de vir pra cá. Acho que se por alguma razão precisasse me mudar, apesar disso tudo, sentiria saudades. De ônibus passando pelo trajeto até a faculdade, olho a cidade como se por um momento não fizesse parte daquele cenário. Quando a beleza e o entorno me embriagam a ponto de eu esquecer os riscos de se viver aqui, quando minha admiração supera o pânico de me imaginar como mais uma vítima dessa cidade, eu sorrio. Apesar disso, acho que se estivesse distante, vendo o Rio sem vivê-lo diariamente, o medo não existiria e meu riso seria sóbrio e, paradoxalmente, teria mais intensidade.

domingo, 3 de outubro de 2010

Sujeira nas urnas e nas ruas


Hoje andando pelas ruas, fiquei na dúvida se era dia de eleição ou de carnaval. O povo andando em bandos, a cerveja rolando...
Nada contra a felicidade em exercer a cidadania(como se esse fosse o motivo de clima de festa pra maioria), mas o que me lembrou mesmo o carnaval foi a sujeira.
As serpentinas e os confetes deram lugar aos panfletos. Nunca vi tantos no chão. Nessas eleições em que a tal da sustentabilidade mais do que nunca foi defendida,acho que os candidatos deveriam ter pensado mais nisso. Principalmente, os adeptos da onda verde. É incoerente. Pra falar bonito,é uma dissonância cognitiva.
Enfim...de volta ao voto.
Tiririca eleito ou não, analfabeto ou não, espero que pelo menos a frase (certamente não escolhida por ele) de sua polêmica campanha " Pior do que está não fica" seja realmente verdadeira. Mas, se a Dilma for eleita, o palhaço da Florentina perde a razão. De qualquer forma, vou torcer pelo segundo turno. Enquanto isso, a sujeira rola na hora do voto com a boca de urna (recebi duas sugestões de candidatos da minha casa ao colégio eleitoral), e, nas ruas com os panfletos jogados no chão ou pairando pelo ar, se desfazendo em lixo, poluindo moralmente a cidade com a cara desses políticos corruptos. Aguardo as exceções e espero que elas liderem na contagem dos votos. Mais do que isso, espero que se eleitos, provem mesmo que são exceções.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Quero falar de amor e de olhares...

O amor é o clichê mais batido e mais bonito que existe. Resolvi resgatar um texto do meu outro blog e colocar aqui. Na hora que decidi fazer isso, começou a tocar na rádio "She's like the wind", música do filme Dirty Dance, um dos meus preferidos e integrante do meu acervo de coisas indispensáveis.


Reflexão


Sempre quis me ver, mas não no espelho. Queria ser capaz de me enxergar fora do meu corpo. Não falo de experiências espirituais. Minha alma e meu corpo não se dividiriam. Eu estaria completa vivendo e observando a mim mesma. Comportamentos e ações são sempre movidos por olhares alheios. Queria ser alheia a mim por um momento.
A nossa vida é sempre mediada pelos outros. Vemos mais os outros do que nós mesmos já que não somos capazes de andar seguindo nosso próprio reflexo. Acho que me conheceria melhor se pudesse me ver mais. Se pudesse me ver na hora em que as coisas acontecem. O meu olho fechando ao se encontrar com outra boca. Ele abrindo e ficando arregalado ao final do beijo. Queria ver a minha face preguiçosa no momento em que o relógio desperta, ainda com a luz apagada. E o modo como meus cílios colam quando encosto a cabeça no travesseiro. A cara de boba quando tenho frio na barriga e o olhar perdido quando meus pensamentos começam a agir. Queria me ver de costas. O modo engraçado de andar correndo. Sei que vídeos já me mostraram algumas dessas vivências, mas queria o tempo real. Talvez seja por isso que inventaram o amor. Já que não podemos nos observar nos pequenos detalhes, esta experiência privilegiada fica para os outros. E talvez amemos nos outros o que não vemos em nós. É claro que ver alguém andando na rua não é nenhum privilégio, mas compartilhar a vida de perto é raro. Tudo bem que em transportes públicos lotados somos postos forçadamente próximos uns dos outros e diminuímos a distância apropriada para convívio social entre estranhos. Mas, no amor é diferente. A motivação é espontânea. Ver os olhos de perto, um sorriso se formando, as lágrimas escorrendo. A peculiaridade de cada gesto.Vemos no outro o que não podemos ver em nós. E nos permitimos ser vistos como não nos vemos. Dessa cegueira pessoal temos a melhor visão: o olhar do outro emitindo nosso reflexo. Talvez este seja nosso melhor espelho.